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O ciclo de conferências online organizadas pelo Centro de História da Universidade de Lisboa parte do reconhecimento dessa expressão artística e do valor que ela tem para a cultura popular e «educação histórica» das massas, enquanto forma de usar o passado.

“Mr. DeMille, I'm ready for my close-up!” Representações da Antiguidade no Cinema

A frase que dá nome a este ciclo pertence à personagem interpretada por Gloria Swanson, que a diz na cena final do filme Sunset Boulevard de Billy Wilder (1950). Este filme centra-se no declínio das velhas glórias do cinema mudo, representadas pela actriz Norma Desmond (Gloria Swanson), a quem o cinema sonoro empurrou para o esquecimento. Ansiosa por regressar à ribalta, porém, Desmond escreve o guião para um filme, Salome, que ela deseja ver realizado pelo lendário Cecil B. DeMille, particularmente famoso pelas suas adaptações da História ao cinema. Filmes como The Joan, the Woman (1917), King of Kings (1927), The Sign of the Cross (1932), Cleopatra (1934), The Crusades (1935), Unconquered (1947), Samson and Delilah (1949) e The Ten Commandments (1923 e 1956) garantiram a DeMille essa fama e o filme de Wilder reconhece-o, homenageando-o com a personagem de Swanson que aspira ser dirigida no papel da princesa da Judeia pela mão do celebrado realizador. É, pois, como Salomé – filha de Herodíade e sobrinha-enteada de Herodes Ântipas, a mesma que segundo a tradição teria conseguido a execução de João Baptista – que Norma Desmond/Gloria Swanson comunica ao cineasta: «Mr. DeMille, I’m ready for my close‑up!»

Desde o seu início, o cinema fez da História tema para as suas realizações artísticas. No seguimento de uma tendência que se verificava já no século XIX, a Sétima Arte começou por recuperar quadros célebres da História da Humanidade, sobretudo da História europeia, e rapidamente se voltou para a Antiguidade, descortinando nela temas a serem usados nas novas realizações. Motivos bíblicos e da Antiguidade Clássica, sobretudo, ressurgiram pelas mãos dos mais célebres realizadores da História do Cinema. Ao longo do século XX e já no século XXI, essa tendência manteve-se, tanto no grande ecrã, como na televisão. O êxito da recepção da Antiguidade nestes media culturais confirma a sua importância histórica.

O ciclo de conferências organizado pelo Centro de História da Universidade de Lisboa apresenta dez sessões, que abrangem várias produções cinematográficas, tendo como denominador comum a Antiguidade, do Egipto ao Império Romano. Como conferencistas participam especialistas internacionais no tema da receção da Antiguidade no Cinema e investigadores de de centros da Universidade de Lisboa.

 

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Cláudia Teixeira
Universidade de Évora / CECH-Univ. Coimbra / CH-ULisboa

Inscrição gratuita em ciclodemille@gmail.com

Organização:
Nuno Simões Rodrigues

Grupo de investigação:
Usos do Passado (Centro de História da ULisboa)

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