Que emoção!
A exposição ficará patente até 23 de agosto. Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Horário
Segunda a sexta feiras: 12h00 - 19h00
Sábado: 14h00 - 19h00
Sinopse
Sabemos o que é uma EMOÇÃO. Diversas ciências deram contributos nesse esclarecimento. De um modo sucinto, a EMOÇÃO é uma resposta complexa do organismo a um estímulo. Sabemos também que as emoções são cruciais para a nossa sobrevivência. Segundo Paul Ekman, existe um conjunto de emoções primárias que desempenham um papel primordial, sejam elas: a tristeza, o medo, a alegria, a repulsa, a raiva ou a surpresa. Todas elas são determinantes nas decisões que tomamos e que podem ter impacto na manutenção, ou não, do nosso bem-estar.
Parece-me pertinente adicionar o seguinte: o que pode uma EMOÇÃO proporcionar? Sem dúvida, uma das possibilidades mais desafiadoras é o seu potencial transformador. Nesse sentido, a arte, enquanto processo que potencia emoções, tem o poder de construir; tem o poder de regenerar sujeitos e de, sujeito a sujeito, melhorar pequenas comunidades. Talvez por isso a arte seja tão hostilmente tratada, até mesmo amputada, por certos regimes. A arte é uma liberdade transformadora, para quem a faz, para quem a vê e para quem a apoia.
Uma exposição de finalistas é mais do que uma EMOÇÃO: é um fim e um começo, é uma alegria e um susto, é satisfação com o passado e expectativa com o futuro – mas não será o futuro sempre expectante? … Que EMOÇÃO, esta é uma EMOÇÃO sentida com o corpo todo, é a EMOÇÃO de concluir a obra, a EMOÇÃO que a obra produz, a EMOÇÃO de a partilhar, a inquietação e o desassossego de ter terminado um ciclo de ensino.
Regressemos à exposição, à partilha, à razão de ser ou de produzir. Neste contexto, temos a EMOÇÃO do artista e a EMOÇÃO do público, ambas com o corpo todo, ambas com os tempos todos… mas peço-vos… esqueçam o instante. O humano não domina o instante. Apreciem, desfrutem, experienciem, contemplem. Os modos podem ser diversos, mas a EMOÇÃO, se se permitirem, pode ser grande. Consequentemente, a experiência, a EMOÇÃO mais transformadora, poderá ser, não a de procurar o que faríamos, mas a de encontrar o outro no que está diante de nós. A EMOÇÃO do eu está ontologicamente garantida e a arte pode ativar a EMOÇÃO com e pelo outro, encontrando-o no reconhecimento de procedimentos, de cores, de formas, de assuntos, relacionando-se corpo a corpo – o nosso corpo e o da obra. Neste diálogo, podemos pedir à obra que complete a EMOÇÃO que nos falta. Por um curto tempo que seja, permitam-se perderem-se com a obra e encontrar um território comum. Um território que, certamente, contribuirá para a descoberta de uma EMOÇÃO que será a razão de ser.
A EMOÇÃO tem a capacidade de compreender o passado, mas também tem o poder de transformar o que há de vir. Esta exposição é um balanço, não apenas para quem a vem ver, mas, sobretudo, para quem a produz – aquele que, ao recuar de costas para ganhar velocidade e aumentar a amplitude do salto que pretende fazer, conseguirá chegar mais longe. É assim que estes jovens artistas chegam a esta emblemática sala de exposição da cidade de Lisboa. As suas obras são heterogéneas como a celebração o exige, as dimensões, as técnicas, os formatos, as cores e os suportes, contêm as vontades de cada um destes artistas, incluem todas as suas EMOÇÕES, que se manifestam de diferentes modos, mas que têm um denominador comum: uma intensidade e uma energia máxima.
Não posso falar apenas de Pintura para me referir a esta exposição dos alunos da Licenciatura de Pintura da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Aqui, a pintura é um território que se constrói adicionando diferentes perspetivas, segundo um entendimento inclusivo. Criar é muito difícil e os limites devem ser os de cada sujeito singular, uma vez que a liberdade criativa tem de estar garantida. Se a pintura nos escapa no suporte, encontramo-la na cor; se nos escapa na matéria, é segurada pelo pensamento; se divaga do plano, reconhecemo-la na forma.
Estes alunos começaram esta licenciatura, maioritariamente em setembro de 2020, tendo iniciado o seu ciclo de estudos num dos mais singulares momentos da nossa história recente porque, no início do seu percurso académico, ficaram em casa. O ensino à distância dominou uma parte significativa dos seus estudos e, nesse período, a partilha de EMOÇÕES foi afetada e a aprendizagem em grupo, perturbada. Mas, em resposta a essa circunstância, o reencontro com a dimensão física – do toque, da matéria, do sorriso e do abraço – transformou-se em obra e matéria criativa, participando destes percursos de ensino-aprendizagem. Estes são sempre singulares, à semelhança do que acontece com a produção em arte, que afirma o carácter autoral e diferente de cada autor. Com ele se expõe e se dá a ver a EMOÇÃO que afeta cada um na sua procura e no seu desassossego pessoal, revelando o que Darwin associava a uma fragilidade social e cultural. Aqui, reescreve-se permanentemente o sentido da EMOÇÃO, na medida em que ela é sempre experienciada e partilhada na máxima intensidade e autenticidade.
Quando ao título da exposição (Que emoção!) adicionamos o título deste texto (Que emoção?), fica estabelecida uma citação direta a uma conferência que George Didi-Huberman pronunciou a 13 de abril de 2013, no teatro Montreuil, nos arredores de Paris. Neste sentido, a diferença na pontuação que distingue as duas frases amplia a experiência emocional. Se, por um lado, o ponto de exclamação se materializa numa entoação de excitação, entusiasmo ou surpresa, podendo constituir uma EMOÇÃO intensa e positiva, a frase na interrogação, por outro lado, formaliza uma questão, procurando identificar, quer o tipo de emoção ali presente, quer alguma dúvida e curiosidade que ela possa suscitar. Em suma, o uso destes dois sinais de pontuação cria um conflituante território de posicionamento, que convida a uma ampliação experiencial – que EMOÇÃO.
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