Com curadoria de Teresa Flores, a inauguração da exposição terá lugar no dia 3 de setembro às 17h00 e estará patente até 21 de setembro, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes.
Horário: Segunda a sábado – 11h00 - 19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
“Reflorir — um jardim de memórias feitas à mão” reúne obras desenvolvidas a partir de vestígios de histórias familiares, preservados em caixas de fotografias. Ao apropriar-se dessas imagens e deslocá-las do espaço doméstico para o campo da arte, Dani Nectoux Remião investiga as relações entre presença e ausência, memória e esquecimento, documento e imaginação.
O jardim constitui o eixo espacial e conceptual do processo criativo. Mais do que cenário, configura-se como laboratório fotográfico, lugar de passagem e espaço de transformação. É nele que as imagens são expostas à luz, combinadas com flores, folhas, extratos vegetais, transferidas para diferentes suportes e submetidas a processos de impressão, tingimento, bordado.
Nesse processo, o fazer manual introduz uma temporalidade expandida e uma dimensão tátil na elaboração das imagens. O gesto de tocar, manipular e transformar demoradamente cada fotografia aproxima a artista dos afetos nela inscritos, como se o trabalho sobre a matéria constituísse uma forma de acariciá-los. A mão acompanha a fragilidade dos vestígios e participa da construção de novas formas de presença. Cada obra preserva algo das fotografias de origem, mas também o desloca e o reconfigura, estabelecendo relações entre diferentes tempos, corpos e lugares.
O título Reflorir nomeia esse movimento de transformação. Não se trata de recuperar integralmente o passado, mas de reativar as suas imagens e presenças sob outras formas. A exposição propõe um jardim de imagens em que a fotografia é compreendida como matéria viva, sujeita ao desgaste, à metamorfose e à renovação. Ao tornar visível o tempo do processo e a intervenção da mão, as obras prolongam, no presente, a existência das histórias e dos afetos familiares. Reflorir designa, assim, tanto a possibilidade de dar nova vida às presenças evocadas pelas fotografias de família quanto o processo pelo qual a própria artista transforma a saudade em matéria artística e encontra, na criação, uma possibilidade de se transformar.
Nota Biográfica
Dani Remião (1972, Porto Alegre, RS, Brasil) Fotógrafa, artista visual, curadora, professora e pesquisadora. Vive e trabalha em Portugal. Doutoranda em Belas Artes na Universidade de Lisboa, na área de Ciência da Arte e do Património; mestre em Artes Visuais (UFRGS, 2018), na área de Poéticas Visuais; e mestre em Ciências da Computação (PUCRS, 1999), na área de Inteligência Artificial. É membro da Comissão de Poéticas Artísticas da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas do Brasil (ANPAP), do Conselho Científico da Editora Atena, do Centro de Investigação e Estudos em Belas Artes da Universidade de Lisboa (CIEBA), do Instituto de Comunicação da Universidade Nova (ICNOVA) e da Árvore Cooperativa de Atividades Artísticas (Porto, PT). Fun dadora e curadora do Chat Noir .ART – atelier & galerie. Pesquisa sobre mulheres na fotografia, fotografias de família, arte e ciência, processos fotográficos históricos e alternativos e seu hibridismo com processos digitais. Possui obras em acervos públicos e privados. Como artista, participou de exposições individuais e coletivas em todas as regiões do Brasil, e em Portugal, Bélgica, França, Inglaterra, Itália, Suíça e Estados Unidos. Como curadora, realizou exposições individuais e coletivas no Brasil e em Portugal.
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