Sentido Improvável , obra de Samuel Gapp e João Ghira que se realizará sob a forma de 3 atuações públicas com a duração aproximada de uma hora cada.
No âmbito do seu mestrado em composição, Samuel Gapp tem realizado uma investigação sobre perspetivas para o processo criativo na música, com foco na área intermédia entre a improvisação e a composição escrita. Neste contexto, convida João Ghira a pensar a composição numa criação inédita. É assim que durante 5 meses o duo se tem proposto a um corpo teórico e físico que encontra as suas formas de fazer. A obra apresentada define um percurso que dialoga com o visitante-público, envolvendo-o num jogo de decisão e controlo ilusórios. As componentes da interatividade são essenciais para o ser da peça, que é construída em tempo real, tornando-se cada performance numa estreia.
A exposição conta com um grupo amplo de artistas e pensadores de diferentes proveniências, com os quais temos o prazer e privilégio de trabalhar, e que são corpo da obra:
Eva Aguilar (violoncelo);
Pedro Massarrão (violoncelo);
Afonso Gaspar (flauta);
Mariana Dionísio (voz);
Tiago Mourato (clarinete);
Honza Michálek (saxofone);
Miguel Cardoso (tuba);
Inês Zinho (performer).
Filmagem e edição: Marco Sardinha, Hugo Nunes, Kenny Gad
A positividade dos atos, a saber, criativos, dos dois artistas e de suas práticas, torna a priori um obstáculo o pensar-se na composição. O ser-composição-da-obra e o seu pertencer a determinado sítio e tempo, a demarcação na construção de um objeto composto e a introdução da definição de um caminho subjectivo aparecem como barras de salto que nos fornecem pistas sobre o que algo pode ser. Para além, o Homem tende a reservar a obra a tempos e tempos, características e memórias, encerrando-as em períodos. Mas onde está o ser intemporal, transversal, e originário da obra? Não o que a representa agora, mas a sua originalidade e fruto [de necessidade]. Há agora o objeto universal e filosófico que se dá a pensar no abrangente e genérico tema fruto-necessidade de composição que está na espécie. Então, como pensar nesses traços mais permanentes da composição sem que se parta de algum princípio?
Para a apresentação deste corpo uma rutura nos meios e formas teve de ter lugar, essa mesma tentativa de não exortar a autoria ou cunho, enquanto fazedores de obra, e constituintes do seu próprio leque de ação e linguagem. Ainda assim, a obra falha, tornando-se numa via que apenas se pôde aproximar da questão da composição. A linguagem plástica, os contornos, preenchimentos e formas de eliminação são trazidos a combater o médio e o transeunte, e estão também em combate entre os corpos e mentes de Gapp, Ghira e o corpo artístico, que lutam para se aproximar do que é nuclear e essencial para a apresentação de uma peça. A obra é apenas o começo de uma colaboração e itinerância e são desenvolvidos textos que complementam as suas teses e enriquecem as suas práticas pessoais.
Samuel Gapp, nascido na Alemanha, tem desenvolvido obras musicais, interdisciplinares e educativas, ligadas à improvisação e à composição escrita. Ativo como pianista e compositor na cena contemporânea, tem colaborado com múltiplos artistas e instituições a nível internacional em iniciativas culturais e educativas. A sua obra tem sido premiada em Portugal nos últimos anos.
João Ghira, nascido em Portugal, tem desenvolvido trabalho na área das artes visuais. A sua prática é alimentada por diferentes áreas de interesse e investigação como a psicologia, a filosofia e a literatura. A criação de objetos não tem sido serial ou estrita a uma única forma de comunicação. O seu trabalho demonstra uma semiose entre a pintura e escultura, explorando os limites da entidade bidimensional das superfícies.
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