Entrámos na Mapoteca do Centro de Estudos Geográficos, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, com o seu coordenador científico, Francisco Roque de Oliveira, e a sua diretora técnica, Sandra Domingues. Com eles, seguimos não apenas as linhas do espaço mas também do tempo, não apenas de um território, mas também de um povo, que os mais de 50 000 mapas ali guardados contêm.
A Estação Espacial Internacional orbita a cerca de 400 km do planeta Terra. Nas 24 horas que compõem um dia aqui, a Estação descreve 16 órbitas em seu redor. A cada noventa minutos, os seus tripulantes assistem a um nascer do Sol, à medida que transitam entre o hemisfério Sul e o hemisfério Norte. A Terra é vista a olho nu. Só em territórios orbitados no período noturno há indícios da presença humana no planeta, as constelações luminosas dos grandes e pequenos centros urbanos. De dia, nenhuma marca ou fronteira de origem humana são discerníveis. Vista àquela distância, o planeta é uma sucessão fluida, contínua, de terra e água.
Tal como a contagem do tempo, das horas, dias e anos, é uma convenção que segmenta uma continuidade e permite a sua medição, e apropriação, à escala humana, também um mapa só é possível mediante um conjunto de convenções, desde logo a representação do norte na metade superior.
Leia a entrevista completa na Revista ULisboa n.º 37
Fotografias: © Ana Luísa Valdeira
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