Dia Internacional do Voluntariado

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No Dia Internacional do Voluntariado fomos falar com os responsáveis pelo curso teórico e prático de voluntariado universitário (Curriculum do Voluntário Universitário).

Como definem o conceito de voluntariado?

Consideramos a prática de voluntariado como uma oportunidade disponibilizada pelas sociedades a cada um dos seus cidadãos e que vai ao encontro da predisposição das pessoas para comportamentos pró-sociais: um conjunto de ações que são definidas por grupos socialmente significativos como benéficas para outras pessoas (Penner et al., 2005).

Entendemos o voluntariado como uma ação realizada de livre vontade e de forma comprometida, sem recompensas materiais, inserida num projeto organizacional com objetivos de ajuda/apoio a pessoas, grupos e/ou causas, podendo, até, ser definido como serviço comunitário (Piliavin, 2003)

Numa definição mais objetiva e com impacto a nível das práticas de voluntariado em Portugal não podemos deixar de referir a Lei n.º71/98 de 3 de novembro que define voluntariado como “o conjunto de ações de interesse social e comunitário realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas.”


Quais as características que um voluntário deve ter?

De um modo geral, o voluntário deve ser responsável, autónomo, curioso, proactivo, generoso, estável a nível emocional e, principalmente, estar consciente das suas motivações, das suas capacidades e limitações e conseguir expressar de forma clara as suas questões/os seus pedidos na comunicação com as pessoas das organizações, com os outros voluntários e com os beneficiários da ação voluntária.


De que forma é que um período de voluntariado enriquece o CV de um jovem?

De múltiplas formas: (a) proporcionando experiências reais em contextos organizacionais complexos; (b) aumentando o conhecimento sobre a diversidade da existência humana e da forma como a sociedade se organiza para cuidar das pessoas, dos animais, do ambiente e do património cultural e arquitetónico; (c) ajudando o jovem a conhecer-se melhor, identificando novas competências, algumas fragilidades e outros interesses.

Por outro lado consideramos que o voluntariado é uma atividade que contribui para a valorização e o desenvolvimento de competências junto dos estudantes – jovens em formação e construção individual; cremos que estas competências, com um curriculum apenas académico, desenvolver-se-iam mais tarde. 

Desta forma, a existência de experiências diversas como o voluntariado no currículo de um jovem demonstram, por exemplo, a sua pro-atividade ou o seu espírito de cidadania ativa e de solidariedade.


Acreditam que o voluntariado é uma componente importante para a entidade empregadora na escolha de um candidato?

Cremos que o voluntariado é, cada vez mais, valorizado pelas entidades empregadoras. A participação em atividades de voluntariado é indicadora, normalmente, de que o jovem é exposto a uma maior variedade de experiências; estas desenvolvem competências como a capacidade de trabalho em equipa, e em hierarquia, de comunicação e de relacionamento em contextos não académicos, a gestão de tempo, o compromisso ou a responsabilidade.

Para ser uma componente importante deverá ser adequadamente avaliada, pois a referência simples de ter praticado voluntariado não indica nada de extraordinário na vida do candidato (especialmente com a tendência para a generalização destas práticas nos estudantes e nos jovens). Contudo temos conhecimento que esse aspeto é muitas vezes valorizado pelas entidades empregadoras mas, estas, habitualmente, exigem comprovativo com indicação de n.º de horas. O fator horas pode ser diferenciador pois o impacto da experiência no desenvolvimento pessoal do voluntário está associado ao número de horas (embora nem sempre positivamente).


Quais os objetivos do curso teórico e prático de voluntariado universitário?

O Curriculum do Voluntário Universitário tem por objetivos a promoção de competências em voluntariado para a implementação, disseminação e reconhecimento desta prática no contexto universitário. Esta formação pretende, sobretudo, sistematizar a prática de voluntariado (diferenciando-a de outros tipos de voluntariado), especificamente junto do público jovem do ensino superior e, também, formar e informar os estudantes sobre este tema.

Ao promover, desde há alguns anos, o voluntariado junto dos estudantes através dos Programas da Faculdade de Letras, Faculdade de Psicologia e Instituto de Educação, apercebemo-nos da necessidade de trabalhar com os alunos a conceptualização, os direitos, deveres, a ética e a regulamentação existente sobre o voluntariado. Apercebemo-nos, também, de que ligadas ao voluntariado estão determinadas competências que os jovens devem adquirir, e que são oferecidas, portanto, no curso: a Comunicação e Relacionamento Interpessoal, a Gestão Emocional, a Negociação e Gestão de conflitos e a Gestão do Tempo.

Muitos jovens da Universidade de Lisboa pretendem iniciar experiências de voluntariado, mas relatam-nos não ter propriamente conhecimento sobre como e onde começar. O curso tem servido, assim, como ponto de partida na adesão a estas atividades.