A Universidade de Lisboa acolheu, no passado dia 7 de abril, no TTC@ULisboa, dois Workshops de Networking no âmbito do projeto UNITE!Widening, reunindo investigadores, empresas, startups e parceiros internacionais em torno dos desafios e oportunidades nas áreas das tecnologias digitais e da saúde.
ULisboa reúne academia e indústria em workshops internacionais do projeto Unite!Widening sobre tecnologias digitais e saúde
Os workshops, dedicados às áreas estratégicas do projecto de Digital & Autonomous Technologies e Health & Biotech, destacaram-se pela forte participação e pela diversidade de intervenientes, reforçando o papel da ULisboa como plataforma de ligação entre academia e indústria.
Ao longo do dia, os participantes tiveram oportunidade de explorar tendências emergentes, partilhar conhecimento e identificar oportunidades de colaboração em projetos internacionais de investigação e inovação. O evento incluiu também um almoço de networking, que potenciou o contacto direto entre investigadores, empresas e stakeholders do ecossistema de inovação, incluindo a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para a criação de uma Open Innovation Community.
Tecnologias Digitais e Autónomas: da investigação à aplicação
Durante a sessão da manhã, dedicada às Digital & Autonomous Technologies, foram abordados temas centrais como a inteligência artificial, a robótica, a análise de dados e a transferência de tecnologia.
Luca Cagliero (PoliTO) abriu o painel com uma reflexão sobre as capacidades de raciocínio dos modelos de linguagem de grande escala (LLMs), explorando o seu uso no ensino, nomeadamente na aprendizagem de SQL, e analisando os mecanismos de raciocínio textual destes sistemas.
Seguiu-se Damian Derlukiewicz (Wrocław Tech), que apresentou o ecossistema de valorização de conhecimento da sua instituição, destacando a importância do diálogo aberto entre academia e indústria e os desafios da colaboração em áreas como robótica e inteligência artificial.
Num registo mais pessoal, José Franca (Técnico ULisboa) partilhou a sua experiência na criação de startups desde os anos 90, sublinhando a necessidade de transformar conhecimento em impacto económico e defendendo a construção de pontes com a indústria global.
A sessão contou ainda com a intervenção de Henrique Moniz (Finisterra Labs), que abordou a análise de dados na era da inteligência artificial generativa, destacando o papel crítico do contexto na qualidade das respostas dos modelos e a crescente importância de sistemas adaptativos baseados em agentes.
As sessões de pitch evidenciaram a diversidade de projetos em desenvolvimento:
- João Carvalho, LASIGE (Ciências ULisboa) apresentou aplicações de deep learning e visão por computador, incluindo projetos com drones em colaboração com empresas portuguesas;
- João Mendes, KeepIt, spin-off da Faculdade de Ciências, focou-se nos desafios da transição energética e nas soluções de armazenamento de energia;
- André Carvalho, HYPHEN apresentou o seu trabalho em design, tecnologia e inovação, sendo responsável por soluções amplamente utilizadas como o MBWay;
- Vasco Pinheiro, FOCUS BC apresentou plataformas digitais para gestão e simulação de cidades, explorando conceitos como “city as a platform” e digital twins.
Tecnologias Integradas de Saúde em destaque
A sessão da tarde, dedicada à área de Health & Biotech, focou-se nas tecnologias integradas de saúde e nas futuras direções da engenharia de tecidos, reunindo especialistas da academia e da indústria.
Diana Massai (PoliTO) destacou o papel dos biorreatores como plataformas tecnológicas para modelação de tecidos e investigação em mecanobiologia, sublinhando o desafio de replicar, em ambiente in vitro, a complexidade dos sistemas biológicos.
Malgorzata Gazińska (Wrocław Tech) apresentou desenvolvimentos em compósitos elastoméricos bioativos, evidenciando o seu potencial para aplicações em regeneração tecidular.
De seguida, João Carlos Silva (iBB, Técnico ULisboa) abordou estratégias inovadoras para regeneração óssea, incluindo o desenvolvimento de scaffolds eletrocondutores e o uso de estímulos biofísicos para melhorar os resultados da engenharia de tecidos.
A intervenção de Daniela Pacheco (Bac3gel) centrou-se em modelos avançados para investigação do microbioma, destacando a importância de sistemas mais representativos da fisiologia humana para acelerar a investigação biomédica.
As sessões de pitch trouxeram contributos relevantes do ecossistema de inovação em saúde:
- Vítor Crespo, HealthTech Lisboa apresentou-se como um hub europeu de inovação em saúde, promovendo a ligação entre diferentes atores do setor;
- Pedro Lopes, FastCompChem destacou soluções de computação aplicadas à química e descoberta de fármacos;
- Vítor Crespo, CRIAM apresentou uma unidade móvel para análise sanguínea, com potencial para aplicações em diferentes contextos clínicos;
- Gonçalo Ribeiro, FLASHGuard apresentou uma tecnologia inovadora para radioterapia FLASH, permitindo monitorização em tempo real e contribuindo para tratamentos mais seguros e eficazes.
Ambos os workshops incluíram sessões dedicadas às oportunidades de financiamento no âmbito do programa Horizon Europe, dinamizadas pela AAVANZ, que destacaram instrumentos de apoio à investigação e inovação colaborativa a nível europeu.
O evento culminou com sessões de discussão aberta, reforçando o compromisso dos parceiros em promover colaboração contínua entre academia e indústria.
Ao reunir diferentes atores do ecossistema de inovação em torno de desafios comuns, esta iniciativa contribuiu para acelerar a transferência de conhecimento, fomentar novas parcerias e potenciar a participação em projetos internacionais com impacto científico, económico e social.
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