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Amílcar Soares recebeu insígnia de Professor Emérito da Universidade de Lisboa

Na sessão intitulada “O sentido de um percurso: uma paixão partilhada”, Amílcar Soares celebrou quatro décadas de dedicação ao ensino, à investigação e à ciência.

Amílcar Soares recebeu insígnia de Professor Emérito da Universidade de Lisboa

A “tripulação” dividida em três grupos – alunos, colegas, amigos e familiares – reuniu-se, no Salão Nobre do campus Alameda do Instituto Superior Técnico para a celebrar o percurso de Amílcar Soares, professor catedrático jubilado do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, na cerimónia de atribuição da insígnia de Professor Emérito, realizada a 19 de junho.

Recorrendo à metáfora de uma viagem para descrever o seu percurso académico, Amílcar Soares agradeceu a presença e o apoio de todos os que “embarcaram” consigo na jornada iniciada há cerca de 40 anos, em Luanda, cidade onde nasceu, e que o trouxe até ao Instituto Superior Técnico. “O meu percurso é uma viagem em que nunca estive só, todas as incríveis e ricas experiências foram vividas e partilhadas por pessoas a quem tenho infinita gratidão”, afirmou.

Sob o título “O sentido de um percurso: uma paixão partilhada”, o professor recordou alguns dos “casamentos impensáveis” que concretizou ao longo da carreira, referindo projetos como o mapeamento geoestatístico do risco de infeção por Covid-19 (ler notícia) e a modelação espaço-temporal de eventos extremos de seca no sul do país, resultantes da “constante curiosidade” e da colaboração com o seus colegas, que simbolizam, nas suas palavras, “a parte mais otimista” da sua viagem. Considerando a relação com os estudantes como “uma das experiências mais ricas” do seu percurso, o docente destacou que “os enormes e inúmeros desafios resultantes da prática da engenharia, bem como as soluções criativas e os projetos de investigação, nasceram desta relação”.

Na última “barca”, Amílcar Soares incluiu aquele que considera ser “talvez o grupo mais importante”: os amigos e a família. Para o homenageado, são eles que “tornam as tormentas mais fáceis de ultrapassar” e elevam “o referencial do conhecimento ao eixo da paixão”.  Citando os versos do poema Ítaca, de Konstantínos Kaváfis, concluiu que o mais importante de uma viagem é o caminho percorrido. “Eu guardo-vos no meu lado esquerdo do peito”, agradeceu.

Rogério Colaço, Presidente do Instituto Superior Técnico, destacou a “grandeza” da carreira do académico, que “soube antecipar desafios e oportunidades muito antes de se tornarem evidentes para a maioria”. Considerando que “o Técnico é uma instituição mais forte graças ao seu contributo”, sublinhou o papel de Amílcar Soares como referência na área da geoestatística moderna, e o seu impulsiono na criação de centros de investigação na área das geociências, como o Centro de Recursos Naturais e Ambiente (CERENA), unidade de investigação que presidiu. “A sua obra permanece viva pelos seus estudantes, pelos seus colegas, pelos seus amigos, nos centros de investigação que ajudou a consolidar e no prestígio internacional que ajudou a conquistar para a nossa Escola e para a Universidade de Lisboa”, completou.

Para Maria João Pereira, presidente do Departamento de Engenharia de Recursos Minerais e Energéticos (DER), o percurso do homenageado contempla tudo “aquilo de que hoje tanto precisamos: ciência sólida, capacidade de inovar, visão interdisciplinar e formação de pessoas capazes de intervir em problemas complexos para melhor apoiar os processos de decisão”. Considerando tratar-se de um momento  de “grande significado” para o departamento, expressou a “alegria” de assistir à distinção do seu “principal impulsionador”. “É uma honra ter o nosso primeiro professor emérito”, declarou.

Destacando a “sorte” de ter partilhado tantos momentos com o professor, mentor, colega e amigo, Leonardo Azevedo, presidente do CERENA e professor do Instituto Superior Técnico, apontou alguns dos contributos do docente que, além de ter liderado a criação doCenter for Petroleum Reservoir Modelin (CMRP), onde exerceu funções como presidente, e de ter cofundado a ROADS – Observation and Analysis Network for Desertification and Drought, ingressou também no mundo literário com o lançamento do livro “Sentados no Mal” e disponibiliza aulas teóricas nas áreas de Geoestatística Introdutória e Geoestatística Avançada no seu canal de YouTube. Leonardo Azevedo elogiou aquela que considera ser uma das principais características do homenageado. “Além da inquietude criativa e da curiosidade, tem a capacidade de acreditar nos alunos e os capacitar” afirmou.

A sessão foi encerrada com o discurso de Luís Ferreira, Reitor da Universidade de Lisboa, que enfatizou a reputação consistente do académico, reconhecido ao longo das décadas “sempre pelas mesmas qualidades”. Recordando o percurso do docente que “projetou a partir do Técnico durante mais de quatro décadas uma carreira de dimensão verdadeiramente internacional”, o Reitor salientou aquilo que o distingue. “É um cientista que percebeu melhor do que muitos que a ciência só cumpre verdadeiramente o seu papel quando sai do quadro e entra na vida”. Dirigindo-se aos mais jovens, concluiu: “É este o tipo de carreira e de pessoa que queremos ver florescer na nossa Universidade.”

A cerimónia encerrou com um momento musical protagonizado pelo Coro de Câmara da Universidade de Lisboa, seguido de um Porto de Honra.

Fonte: Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa

 

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