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Numa altura marcada por transformações sociais, científicas e tecnológicas profundas, pensar hoje a Universidade de amanhã é inevitável. Que mudanças se avizinham no Ensino Superior? O que permanecerá inalterado?

Henrique Leitão
Fotografia: Ana Luísa Valdeira

Falámos com o Professor Henrique Leitão, Pró-Reitor da Universidade de Lisboa (ULisboa) que antevê alterações formais no Ensino Superior nos próximos anos, impulsionadas pela evolução do mercado de trabalho e pelo desenvolvimento das novas tecnologias. 

Num contexto onde surgem novas profissões enquanto outras são extintas, a Universidade deve ajustar-se e responder a exigências emergentes. Ainda assim, o Pró-reitor não prevê ruturas na essência da instituição: “no que diz respeito ao coração da atividade académica, não creio que se venham a dar alterações dramáticas. Isto é, penso que a universidade continuará a ser o espaço privilegiado para aprender a pensar, a julgar criticamente, e a inovar.”

Henrique Leitão
Fotografia: José Furtado

No entanto, se há algo que a universidade não poderá perder é a dimensão profundamente humana do ensino. “O ensino e a educação são atividades profundamente relacionais. Esquecer isso é um erro”, sublinha Henrique Leitão. Para o Pró-reitor, um bom professor não transmite apenas conhecimento: abre horizontes intelectuais e revela novas possibilidades de vida aos seus estudantes.

As novas tecnologias, por sua vez, representam oportunidades. O objetivo não é substituir o docente, mas libertá-lo de tarefas administrativas. 

“O inimigo dos professores não é a tecnologia; é a administração, a rotina, a distração daquilo que são as tarefas essenciais da vida docente”, destaca.

 

Paralelamente, o Ensino Superior enfrenta o desafio da massificação. Apesar de as relações entre estudantes e professores serem hoje, em muitos contextos mais próximas e informais, o aumento significativo do número de alunos pode dificultar a personalização da experiência académica e enfraquecer o sentido de comunidade. 

“A universidade do futuro terá de encontrar um equilíbrio delicado: preservar a proximidade e a qualidade da relação pedagógica, mesmo num contexto de grande escala.”

 

No centro de todas estas transformações permanece uma questão essencial: como garantir que a Universidade não perde a sua identidade? O Pró-Reitor não tem dúvidas: “a universidade oferece um ‘produto’ único, insubstituível, que mais nenhuma instituição oferece nem consegue replicar. Se ela deixar de o fazer, perde todo o seu interesse. Consiste na oferta de uma experiência intelectual singular e transformadora centrada no estudo intenso de certas matérias, na exploração interior que isso implica, e na vida comunitária com outros que fazem o mesmo percurso. O grande desafio é conseguir que a Universidade continue a ser, com brio e independência, uma comunidade de mestres e alunos que se juntam para estudar”, reforça.

A universidade do futuro poderá integrar novas tecnologias, adotar formatos inovadores e responder a exigências emergentes. Mas, se permanecer fiel à sua missão essencial, formar pessoas livres, críticas e criativas, continuará a ser um espaço indispensável na construção de uma sociedade mais consciente, informada e humana.

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