O Professor Hugo Miranda, do Departamento de Informática da Faculdade de Ciências da Universidade da ULisboa), foi nomeado ISOC Community Fellow 2026, um programa internacional promovido pela Internet Society (ISOC) que reúne especialistas de todo o mundo para promover políticas públicas e iniciativas em defesa de uma Internet aberta, segura e confiável.
Criada com a missão de garantir que a Internet continua a ser um espaço globalmente interligado, fiável e sem barreiras, a Internet Society seleciona anualmente um grupo de profissionais que, após um período de formação especializada, se espera que venham a desempenhar um papel ativo na sensibilização da opinião pública e dos decisores políticos para os desafios da governação da Internet. “A ISOC Community Advocacy Fellowship é um programa que reúne e prepara um conjunto de pessoas para tomarem uma atitude mais proativa na defesa destes valores, influenciando a opinião e os poderes públicos da sua região”, explica Hugo Miranda.
A edição de 2026 registou mais de 800 candidaturas provenientes de vários países. Este ano, o programa privilegiou candidatos da Europa e de África, tendo o docente de Ciências ULisboa sido um dos 50 selecionados.
Ao longo de seis meses, os fellows participarão em sessões de formação online conduzidas por especialistas da Internet Society, complementadas por trabalho autónomo sobre políticas digitais e governação da Internet. O programa culminará num encontro presencial dos participantes europeus, em Bruxelas, durante o próximo mês de outubro.
Para Hugo Miranda, esta experiência representa também uma oportunidade para reforçar o papel de Portugal e de Ciências ULisboa no debate internacional sobre o futuro da Internet: “Espero contribuir para que Portugal se torne um referencial da defesa de uma Internet aberta e segura, e que Ciências seja identificada como um dos pontos centrais da defesa desses valores”.
Entre os principais desafios, o docente destaca a necessidade de encontrar soluções tecnológicas que conciliem a proteção dos cidadãos com o respeito pela privacidade e pelos princípios que estiveram na origem da Internet: “Há diferentes matérias em discussão para a regulação da Internet para as quais, acredito que por desconhecimento técnico, têm sido aventadas soluções que colocam em perigo a utilização da Internet tal como a conhecemos”.
Um dos exemplos apontados prende-se com os mecanismos atualmente discutidos para a verificação da idade dos utilizadores no acesso a determinados serviços online: “Fotografar o utilizador ou o seu cartão de cidadão, ou até mesmo forçar a autenticação com a Chave Móvel Digital acabam por entregar mais informação do que a necessária a terceiros ou ao Estado, quando já foram publicadas soluções muito menos intrusivas na literatura científica”.
O investigador lembra ainda que continuam por resolver outros desafios, como a cobertura universal de serviços de Internet de qualidade ou a preservação da neutralidade da rede, princípios fundamentais para garantir uma Internet livre e acessível. A nomeação surge também como uma oportunidade para aproximar a investigação desenvolvida em Ciências ULisboa das discussões internacionais sobre políticas digitais: “A relação com a investigação é direta. Alguns dos problemas colocados à Internet hoje em dia ainda precisam de investigação e desenvolvimento de soluções tecnológicas que os utilizadores e os poderes públicos entendam”.
A terminar, deixa uma mensagem aos estudantes interessados pelas áreas da tecnologia, das políticas digitais e da governação da Internet: “Para além dos conhecimentos técnicos, todos aqueles que contribuem com algo para a Internet têm de ter qualidade, sentido crítico e ética. Os alunos de informática têm um dever especial na vigilância das tentativas de violação dos princípios que devem reger a Internet. E acredito que os alunos de Ciências, em particular, têm uma formação nesse sentido.”
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